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Biblioteca científica

A ciência por trás da respiração

Uma seleção de pesquisas publicadas em periódicos internacionais sobre como a respiração atua no cérebro, no sistema nervoso e no sistema imune. Cada referência traz um resumo em português, o link original e, quando o acesso é aberto, o PDF completo.

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Artigos científicos

6

artigos científicos

Periódicos

5

periódicos internacionais

Período

2014–2023

anos de publicação

Em destaque · Stanford

Práticas breves de respiração estruturada melhoram o humor e reduzem a ativação fisiológica

Título originalBrief structured respiration practices enhance mood and reduce physiological arousal

  • 108participantes analisados
  • 5 minde prática por dia
  • 1 mêsde acompanhamento

O que o estudo encontrou

  • Três exercícios de respiração (suspiro cíclico, respiração quadrada e hiperventilação cíclica com retenção) foram comparados à meditação mindfulness, todos por 5 minutos ao dia durante um mês.
  • A respiração, sobretudo o suspiro cíclico, com expiração prolongada, melhorou mais o humor e reduziu mais a frequência respiratória em repouso do que a meditação.
  • O afeto positivo diário subiu em média 1,91 ponto nos grupos de respiração e 1,22 na meditação. Tanto a respiração quanto a meditação reduziram a ansiedade.

Capítulo I

Respiração e cérebro

Onde nasce o ritmo da respiração, como ele conversa com as emoções e o que acontece no corpo quando a respiração desacelera.

  1. Tipo
    Revisão
    Publicação
    Nature Reviews Neuroscience2018
    Autores
    Del Negro, Funk e Feldman · William & Mary (EUA)

    A respiração importa

    Título originalBreathing matters

    O que o artigo mostra

    • A respiração é um comportamento vital e surpreendentemente complexo, comandado por uma rede de circuitos no tronco cerebral.
    • O centro principal dessa rede é o complexo pré-Bötzinger, que gera o impulso de cada inspiração e coordena todas as fases do ciclo respiratório.
    • Esse centro influencia fortemente a emoção e a cognição, e também é influenciado por elas.
  2. Tipo
    Revisão sistemática
    Publicação
    Frontiers in Human Neuroscience2018
    Autores
    Zaccaro, Piarulli, Laurino et al. · Universidade de Pisa (Itália)

    Como o controle da respiração pode mudar sua vida: revisão sistemática dos efeitos psicofisiológicos da respiração lenta

    Título originalHow Breath-Control Can Change Your Life: A Systematic Review on Psycho-Physiological Correlates of Slow Breathing

    • 15estudos incluídos
    • 2.461resumos analisados
    • pessoas saudáveis

    O que a revisão encontrou

    • A respiração lenta, com menos de 10 respirações por minuto, aumenta a variabilidade da frequência cardíaca, um sinal de atividade parassimpática.
    • No eletroencefalograma, as ondas alfa aumentam e as ondas teta diminuem.
    • Os estudos relatam mais conforto, relaxamento, vigor e estado de alerta, e menos sintomas de ansiedade, depressão, raiva e confusão.
  3. Tipo
    Revisão teórica
    Publicação
    Frontiers in Human Neuroscience2018
    Autores
    Gerritsen e Band · Universidade de Leiden (Holanda)

    Sopro de vida: o modelo de estimulação vagal respiratória da atividade contemplativa

    Título originalBreath of Life: The Respiratory Vagal Stimulation Model of Contemplative Activity

    O que o artigo propõe

    • Práticas contemplativas como meditação e ioga têm em comum a regulação da respiração ou a atenção guiada a ela.
    • Essa disciplina respiratória explicaria parte dos benefícios físicos e mentais dessas práticas, por mudanças no equilíbrio do sistema nervoso autônomo.
    • Os autores propõem que certos estilos de respiração estimulam o nervo vago, principal via do sistema parassimpático.

    É um modelo teórico: os próprios autores discutem as limitações e o que ainda precisa ser testado.

Capítulo II

Estresse, frio e imunidade

O que acontece no sistema nervoso e no sistema imune quando a respiração é treinada, e como o estresse emocional se liga ao coração.

  1. Tipo
    Ensaio clínico randomizado
    Publicação
    PNAS2014
    Autores
    Kox, van Eijk, Zwaag et al. · Radboud University Medical Center (Holanda)

    Ativação voluntária do sistema nervoso simpático e atenuação da resposta imune inata em humanos

    Título originalVoluntary activation of the sympathetic nervous system and attenuation of the innate immune response in humans

    • 24voluntários saudáveis
    • 10dias de treino
    • método Wim Hof

    O que o estudo encontrou

    • O grupo treinado em respiração, exposição ao frio e meditação teve forte aumento de adrenalina no sangue durante a prática.
    • Diante de uma endotoxina bacteriana, esse grupo produziu mais IL-10, uma substância anti-inflamatória, e menos TNF-α, IL-6 e IL-8, que são inflamatórias.
    • Os sintomas parecidos com os de gripe foram menores no grupo treinado.
  2. Tipo
    Estudo de caso com neuroimagem
    Publicação
    NeuroImage2018
    Autores
    Muzik, Reilly e Diwadkar · Wayne State University (EUA)

    "Cérebro sobre o corpo": a regulação voluntária da função autonômica durante a exposição ao frio

    Título original"Brain over body" – A study on the willful regulation of autonomic function during cold exposure

    • ressonância funcional e PET/CT
    • exposição ao frio

    O que o estudo encontrou

    • Durante o frio, o método ativou a substância cinzenta periaquedutal, região do cérebro que modula a dor e o frio.
    • Também ativou áreas da ínsula ligadas à auto-observação e à atenção sustentada.
    • A respiração forçada aumentou o consumo de glicose nos músculos entre as costelas, gerando calor.

    O estudo acompanhou uma única pessoa, Wim Hof, comparada a um grupo de controle. O artigo completo é de acesso pago na revista.

  3. Tipo
    Leitura complementar
    Publicação
    Harvard Health Publishing2017
    Fonte
    Harvard Medical School · resume estudo publicado na The Lancet

    A ligação entre o estresse emocional e as doenças do coração

    Título originalUncovering the link between emotional stress and heart disease

    • 293pessoas acompanhadas
    • 2 a 5anos de seguimento

    O que o texto explica

    • Mais atividade na amígdala, o centro do medo no cérebro, esteve associada a mais inflamação nas artérias e a maior risco de infarto ou AVC.
    • A associação se manteve mesmo depois de considerar pressão alta e diabetes.
    • Técnicas de redução do estresse podem diminuir a atividade da amígdala. O pesquisador ressalta que ainda faltam grandes ensaios para confirmar o efeito sobre o coração.